sexta-feira, 26 de junho de 2009

Crítica

Espaço

O espaço é uma ferramenta do arquitecto, em que este cria e modifica consoante o projecto a realizar. Um elemento igualmente importante é a luz que tem a capacidade de transformar o espaço alterando-lhe a forma perceptiva. É a luz que limita e qualifica o espaço arquitectónico, podendo ser utilizada de diversas maneiras, criando assim grande variedade de sensações aos receptores. A luz torna-se então fundamental para o projecto de um arquitecto, pois além de ser necessária para a compreensão de um espaço, como já dizia Le Corbusier, existem necessidades básicas humanas que necessitam ser realizadas, sendo que a luz é um grande contributo nessa matéria.
Durante a fase de projecto um arquitecto tem que representar o seu conceito/objecto/espaço arquitectónico para que se perceba como irá ficar depois de construído e para tal, serve-se das várias técnicas de representação, desde o estudo do volume à planta passando ainda pela perspectiva e cortes. No meu ponto de vista, através da planta e da volumetria já se consegue ter uma ideia mínima de como resultará um projecto, uma vez que na planta se conseguem ver todas as relações entre espaços interiores e com a volumetria percebe-se qual o resultado exterior, no entanto é preciso mais do que isso. É necessário ter uma ideia absoluta e rigorosa do projecto. Para tal existe a perspectiva, já utilizada no Renascimento como método de representação fiel da realidade, bem como para conferir profundidade ao desenho ou criar efeitos de ilusões na arquitectura. É então através da perspectiva que podemos ter um espaço focal clássico, homogéneo, constante e isótropo e com apenas um ponto de vista, ou um espaço narrativo, bastante mais interessante, uma vez que provoca dinamismo e movimento, pois a percepção do espaço é feita a partir de um movimento que cria vários pontos de vista, sensações e diversas formas de percepção de todo o objecto arquitectónico. Além disso ao ser necessário percorrer um caminho para encontrar a percepção global do espaço, está-se a criar uma narrativa ou uma história. O mesmo acontece no cinema em que há a percepção de realidades diferentes devido à multiplicidade de espaços que geram diferentes emoções aos espectadores. Aqui introduz-se então o factor tempo, o que não acontecia na perspectiva focal clássico, uma vez que estava parada. Também na arquitectura com o tempo podem-se criar percursos arquitectónicos para a criação de sensações e diferentes percepções do objecto. No entanto existem regras físicas para causar emoções, desde a superfície ao volume e planta. É através de técnicas que se pode construir e controlar o percurso arquitectónico, pelo que todos os arquitectos deviam ser capazes de o fazer, conferindo assim um carácter especial à sua arquitectura. Le Corbusier é um exemplo de sucesso nesta área, pois foi ele estudou e aplicou todas estas regras físicas, tornando a sua arquitectura tão característica servindo também os seus ensinamentos como base para outros arquitectos que viriam depois dele. É interessante como Corbusier consegue condensar todos estes aspectos constructivos, estruturais e estudos que fez durante a vida apenas num edifício, e um dos mais importantes, a Villa Savoye. Este é um edifício que se insere em quase todos os tópicos estudados neste semestre, desde o lugar à função e ao espaço. Á primeira vista não nos apercebemos deste fenómeno, mas depois de um estudo aprofundado é fácil de verificar este facto.
A partir do século XX começou-se então a introduzir o tempo, dinamismo e profundidade em grande parte da arquitectura através da utilização da perspectiva. O mesmo aconteceu no cinema, na fotografia, na pintura e nos diferentes movimentos arquitectónicos. Assim começaram a aparecer os sistemas de profundidade com a introdução da planta profunda.
Uma outra grande arquitecta em que os seus projectos, também eles muito caricatos à sua maneira, todos eles repletos de movimento e dinamismo, foi Zaha Hadid. Ela aplica várias regras fazendo com que a arquitectura estável pareça que está em movimento, cria percursos arquitectónicos para que se tenham diferentes percepções e emoções do mesmo espaço. Mais uma arquitecta que revolucionou o mundo da arquitectura.
Segue-se finalmente o espaço plano, que pode ser um espaço quadro, onde há o acumular de espaço e tempo num mesmo plano; um espaço marco no qual percebemos uma outra realidade que não se vê mas que sabemos que lá está e um espaço projecção onde desaparece a ideia de limite, é uma realidade que não existe.E assim chegamos ao fim de um ano de Teoria da Arquitectura, onde nos foi possível ficar a conhecer um pouco mais do grande mundo da arquitectura, bem como de certos aspectos e temas que nos irão acompanhar ao longo de toda a vida enquanto arquitectos. Podemos referir também que com esta disciplina foi possível abrir horizontes, tanto a nível de obras como de autores até então desconhecidos, fazendo com que agora se olhe com outros olhos para a arquitectura, podendo agora criticá-la de outra forma, uma vez que adquirimos bases que nos permitem faze-lo. Além disso, foi uma disciplina complementar a Projecto, ajudando-nos na sua compreensão, valendo então assim todo o esforço dedicado a esta cadeira.
03.3 Sistemas de Movimento e Profundidade
O objectivo dos sistemas de movimento e profundidade é colocar movimento num espaço clássico e num espaço narrativo. Assim, há uma liberdade total para ver e perceber o espaço.

A olhada dinâmica do século XX: A Modernidade Arquitectónica
·Villa Savoye
Le Corbusier, 1928

A ideia essencial está na percepção dinâmica do espaço, em que há a procura do movimento quase real, pois o edifício parece estar a flutuar. Há algo independente do percurso, o que gera uma percepção dinâmica da nossa mente, levando assim á procura de sensações.

1. A Janela Virtual
2. A Metáfora Maquinista: o Futurismo
3. A Forma Dinâmica: Expressionismo
4. As Geometrias Instáveis: Construtivismo Russo
5. A Expansão Horizontal da Planta Livre
6. O Plano Profundo

1. A Janela Virtual
·Casa Museu Sir John Soane
Soane, J., 1812-34

Esta é uma casa construída por diferentes realidades (Grécia, Egipto) e por pedaços que este senhor trouxe das suas viagens. Os pedaços de realidades diferentes no mesmo espaço, pois estas pequenas realidades estão condensadas por todas as paredes, desvinculando assim a ideia de limite do espaço arquitectónico através da sobreposição de elementos. Deste modo, a casa já não é entendida como estável mas sim com um dinamismo virtual.

2. A Metáfora Maquinista: o Futurismo

·La Cittá Nuova
Sant’Elia, A., 1913-14

Sant’Elia tenta criar dinamismo em algo que é estável.

3. A Forma Dinâmica: Expressionismo

·Torre Einstein
E. Mendelsohn, 1917-22

É constituída por uma geometria encurvada. É semelhante a um submarino que se move pela terra.

4. As Geometrias Instáveis: Construtivismo Russo

Este é um movimento mais composto, devido à procura da ideia de dinamismo e não existência de gravidade arquitectónica, tentando construir novas realidades pretendendo que a forma seja desvinculada do solo.


·Monumento na III Internacional
Tatin, V., 1920

A ideia de movimento está aqui representada pela “casca” e pela noção de ascensão, e a ideia de não gravidade pelo facto do edifício dar a noção que se está a elevar do chão. Aqui são utilizadas três geometrias/volumes simples: um cubo que representa a estabilidade e por isso localiza-se na parte inferior da construção, e além disso daria uma volta sobre si mesmo durante um ano, dando assim um movimento real ao elemento, dinamizando-o; uma pirâmide que também daria uma volta sobre si mesma durante um mês, uma vez que a pirâmide é um elemento geometricamente mais instável que o cubo e finalmente, no topo da construção está um cilindro que daria uma volta por dia, já que esta parte superior está mais dedicada ao uso público, estando assim mais vinculado à realidade das pessoas e transmitindo assim a ideia de que é necessário subir para dar a noção de não gravidade.

·Instituto Lenine
Leonidov, I., 1927

Aqui todos os elementos são tratados artisticamente, sendo que a geometria é quase um quadro em planta composta por linhas ortogonais que formam uma composição. Nesta construção também existe a noção de não gravidade devido ao balão que parece que se move se retirarmos os cabos, dando assim a noção de que o balão pode subir, mas que no entanto não passa de um elemento estável.

5. A Expansão Horizontal da Planta Livre


·Gabinete de Nemo
Ilustração de Edouard Rion, 1866

O objectivo é conseguir profundidade na planta levando assim à fachada livre, criticando desta forma o que era o espaço tradicional. Aqui o espaço é visto como um vazio interior em que no seu exterior apenas existe água, sendo assim o espaço construído, um espaço escavado, pois não há relação entre o interior e o exterior.


·Sistema Dominó
Le Corbusier

Com o sistema dominó devido à desmaterialização do limite, torna possível a arquitectura perceber o exterior através da planta livre. Este é um sistema abstracto onde as lajes são transladadas.

6. O Plano Profundo

Com o plano profundo dá-se uma extensão do interior para o exterior. Le Corbusier estuda todas essas possibilidades de expansão, chegando à conclusão que podemos criar diferentes percepções, pois ao estarmos dentro desse espaço podemos mover-nos dando assim uma noção de maior profundidade.

·“Las Lanzas”
Velásquez, 1634

Em primeiro plano estão pintadas as lanças verticais dando a noção de profundidade.

·Casa Baizeau, Cartago
Le Corbusier, 1921

Esta é uma casa que cresce na diagonal, em que há uma continuidade visual que vai além das dimensões do espaço interior.

Sistemas de Profundidade

1. Planta Aberta
2. Planta Purista
3. Planta Deslocada
4. Planta Fluida

1. Planta aberta: Desmaterialização do Muro

Neste tipo de planta há uma desmaterialização do limite criando-se então um limite virtual.
·Pavilhão Barcelona
Mies van der Rohe, 1929

O muro perde o carácter de limite, sendo a ideia principal os pilares serem revestidos com um material cromático para que faça reflexo e desse modo desaparecerem. Além disso os muros são de mármore polido para também criarem reflexos e não parecerem um limite.

·Vermeer, J., 1632-75

No quadro é colocada uma janela dentro de um espaço também representado neste quadro, dando a noção de que existe uma outra realidade para lá da janela. Embora não seja visível, sabemos que essa outra realidade lá está. Há ainda uma outra realidade que está representada por um espelho que há primeira vista não se vê mas que está lá, e nesse espelho está reflectida a cara da mulher, compreendendo-se assim esta realidade.

·Casa Church, Villa d’Avray
Le Corbusier, 1928

Há novamente uma desmaterialização do muro, pois Corbusier cria buracos inteiros nas paredes, como um muro que foi retirado (janelas grandes), que nos permite compreender o exterior, bem como uma janela de carpintaria preta para que se assemelhe a um quadro que marca uma realidade que está fora e um espelho do tamanho de uma parede com o intuito de devolver o espaço por nós criado.

2. Planta Purista: Fragmentos Condensados

Na planta purista há uma sobreposição de tramas e elementos transparentes. O importante é a junção de todos estes elementos e não o elemento em si.

·Zubarán, 1598

Aqui o espaço é interpretado como a pintura de um quadro cubista, pois o importante não é o objecto em si mas as relações entre os objectos. A realidade não é real porque é feita através de fragmentos sendo o objecto o elemento que gera o quadro.

·Pavilhão Espirit Nouveau
Le Corbusier, 1922

A planta é como um quadro em que existe profundidade pela extensão, pois através de um elemento sobreposto cria-se maior profundidade. Neste pavilhão conceberam-se espaços de duplas alturas e criaram-se novos espaços peça sobreposição de elementos.

3. Planta Deslocada: A Percepção Quebrada

Tem a capacidade de mudar um percurso, devido às diferentes percepções de um mesmo espaço.
·Villa Savoye
Le Corbusier, 1928

No interior existem elementos que obrigam a parar e a mudar o percurso, havendo assim uma extensão do tempo e do espaço para o compreender. No mesmo objecto pretende quebrar a percepção do receptor através do elemento curvo na parte inferior do edifício, do elemento quadrado no centro e novamente do elemento curvo, desta vez no topo do edifício. Há ainda um pilar que tenta romper a simetria, bem como a quebra dos elementos pelos pilares circulares em que entre eles aparece um pilar quadrangular.

4. Planta Fluida: A “Promenade”

A planta fluida caracteriza-se por um percurso linear sendo que ele mesmo flui. Não existe limite entre o tecto, chão e paredes. Tal como o nome indica, “Promenade” é um percurso que se faz por dentro da arquitectura, em que há uma planta aberta que se moldando de diferentes formas.


·Guggenheim, New York
Wright, F. Ll., 1943-59

No caso do museu Guggenheim, todo o espaço é definido pela rampa circular, em que toda a parte do fechamento tem inicio no interior criando uma nova tipologia, uma nova pele.

·Villa Savoye
Le Corbusier, 1928

É um espaço linear mas que permite criar uma narrativa dentro do percurso dando assim maior profundidade ao espaço. No meio de um pilar está uma mesa onde Corbusier deposita as suas coisas marcando assim o início da história. Esta história prossegue pela rampa e termina quando o arquitecto volta a deixar os seus elementos (chapéu, tabaco) em cima de uma outra mesa no exterior, havendo assim uma ligação entre os dois momentos, o inicial e o final.

Sistemas de Profundidade: Fim do Século XX

1. Concepção Dinâmica do Espaço

O espaço é percebido como se estivesse em movimento e é construído como se fosse uma fotografia congelada, ou seja, embora parece que está em movimento, o espaço é estável.

2. Sensação ou Procura de Não Gravidade

A arquitectura não está ligada ao chão, mas sim a flutuar.

3. Concepção Continuamente Cambiante

Cada projecto é uma resposta determinada ao tempo e momento que estamos a viver, em que fluxos de trabalho/movimento modificam a ideia tradicional do espaço.


·Restaurante Moonsoon, Sapporo
Hadid, Z., 1990

Transmite a ideia de movimento, profundidade e dinamismo, tanto no interior como no exterior do edifício. Embora a planta exterior seja muito agressiva, a segunda planta contém elementos mais fluidos e cómodos. Este projecto tem como elemento principal uma espiral suspensa no centro do espaço que quebra as duas plantas. Ainda no centro está uma clarabóia que permite a passagem da luz para o interior e que flui pela espiral como se de uma casca de laranja se tratasse.

·Villa em Haia
Hadid, Z., 1991

Esta foi uma proposta para dar uma nova ideia de percepção, pois foi criada por uma laje que tem uma casca que cresce e cria todos os espaços interiores da casa sendo esta composta por um espaço fluido e dinâmico no interior. A percepção dinâmica é apreendida durante o percurso uma vez que a laje é para ser percorrida, tratando-se assim de um dinamismo não controlado pois são deixados buracos que dão percepções diagonais, sendo possível do exterior ver o interior.


·Villa Moebius
Het Godi van Berkel, B.1991

Há um dinamismo externo com dinamismo interno, sendo este último para ser percebido através de um movimento fluido. Este projecto é baseado numa fita matemática (infinita) de Esher. Esta é uma casa feita de movimento onde se misturam a vida dos dois habitantes da casa, uma ideia linear da vida, dando a ideia de tempo como um percurso sem fim dentro de casa. Há também uma ligação da casa com o terreno, um diálogo de como se deve posicionar um objecto arquitectónico num lugar. No interior do edifício misturam-se as duas fitas/os dois fluxos, dando profundidade para que as duas pessoas que estão em lugares diferentes se consigam ver.

A Criação de Novos Espaços: O Espaço Plano

Podemos criar espaços que não são reais – espaço plano, apanhando-se vários espaços, colocando-os num mesmo plano e deste modo criam-se novas sensações e compreensões. O mesmo acontece no cinema, é a representação sobre uma superfície de todos os espaços que acontecem na realidade.

O Espaço Plano

1. O Espaço Quadro
2. O Espaço Marco
3. O Espaço Projecção

1. O Espaço Quadro
Acumula o tempo e espaço num mesmo plano e procurando um espaço fluido. Há uma relação da sobreposição de fragmentos num quadro.

·Pavilhão Barcelona
Mies van der Rohe, 1929

Compõe o marco em que os seus elementos estão a ser reflectidos na forma abstracta de ver a realidade, sendo que o reflexo da água cria uma nova realidade de ligação com o pavilhão. Os elementos parecem fazer parte de um quadro.

·“En Construccion”
Guerin, J. L., 2000

Através da fotografia consegue criar quadros com pedaços de realidade. É uma fotografia que não só representa a realidade como também tem uma grande carga artística, em que não se compreende se é um espaço plano ou em 3D.

2. O Espaço Marco
Aqui marcamos uma realidade que está por fora, em que se compreende o que se vê e o que não se vê. Introduz a ideia de separar o objecto e o sujeito.


·“As Meninas”
Velásquez, D., 1656

Estamos a perceber este quadro como se fossemos o pintor, pois este pinta o quadro através de um espelho, havendo assim uma realidade fora, pois supostamente estamos no lugar onde estão as meninas, no entanto ainda estamos fora dessa realidade uma vez que na parede do quarto do quadro está um espelho que reflecte os pais das meninas que estão cá atrás, mas ainda assim á nossa frente.


·“En Construccion”
Guerin, J. L., 2001

Existem buracos que deixam ver a realidade que está em luz, vemos então bocados de uma realidade que compreendemos.

3. O Espaço Projecção

Dá-se o desaparecimento da ideia de limite uma vez que agora o importante é a luz e sombra que determinam uma realidade. O objecto foi substituído pela representação. Agora o espaço é uma projecção da realidade.

·Instalação Eulália Vallsofera

Nesta instalação, através de garrafas de variadas formas projectam-se sombras que se assemelham a mulheres, sendo esta uma realidade projectada que não existe.


·Ronchamp
Le Corbusier, 1954

A parede não é entendida como limite mas sim como um espaço de projecção devido à luz e sombra que definem uma realidade, criando assim um diálogo entre a projecção de luz e de sombra. Não existe arquitectura, apenas luz e sombra.



·“En Construction”
Guerin, J. L., 2000

O reflexo do vidro deixa ver as construções que estão a ser feitas no exterior.


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03.2 A Construção do Tempo e o Espaço:
O Espaço Narrativo

Como foi anteriormente referido, o Espaço Focal Clássico é composto apenas por um ponto de vista, sendo este um espaço constante, homogéneo e geometricamente definido. A luz é o material que auxilia a compreensão do espaço uma vez que o limita. A partir daí os arquitectos empregavam a perspectiva para a compreensão do espaço em termos de racionalidade, ou seja, para perceber como é que o projecto vai ser alterado, na consequência de tentarem que o espaço construído fosse facilmente compreendido. Para tal é necessário que haja um movimento do receptor, em que este já não está num ponto fixo. A este fenómeno dá-se o nome de espaço narrativo.
As grandes diferenças entre o espaço clássico e o narrativo são que enquanto no espaço clássico a luz é o material que ajuda a compreensão do mesmo, no espaço narrativo, é o tempo que dá matéria arquitectónica e que possibilita a criação de novos espaços.

O Cubismo é a primeira vanguarda que quebra esta perspectiva focal clássica.

·“Cabeça” Litográgica
P. Picasso, 1945

Esta é uma pintura figurativa, que usufrui da perspectiva clássica.

·“Cabeça”
P. Picasso, 1945

Neste quadro Picasso incorpora um novo material, o tempo, pois descompõe a realidade clássica em termos de perspectiva pela fragmentação, para posteriormente propor um espaço novo, utilizando a técnica da colagem.
Assim se resume o cubismo, pois pega em várias perspectivas e cola-as, formando novas formas. O pintor cubista move-se em torno da realidade, pega em algumas partes e cola-as numa tela.
·Malevich

As figuras estão em movimento em 3D, mas agora o movimento já não é uma fragmentação mas sim a narração que existe com os elementos do quadro, ou seja, o tempo/movimento depende da acção narrativa.
·Acorazado Potemkim
Einstein, 1925

Também no cinema se utiliza a fragmentação como na pintura cubista. Também constrói espaços novos que estão por trás do ecrã do cinema, servindo igualmente este espaço para que o cinema seja construído, ou seja, há espaços que não se vêem mas que se compreendem sem lá estar. Através da câmara cria-se um espaço novo, pois cada fotograma está a descompor uma cena de diferentes pontos de vista e em diferentes momentos, no entanto compreende-se a acção narrativa que se passa noutro lugar.

O Espaço Narrativo

O espaço narrativo contém o tempo na nossa visão, que é importante para que se compreenda a arquitectura.

·Villa Savoye
Le Corbusier

A villa Savoye está feita para que haja um percurso dentro dela, para que não só a percebamos depois de nos movimentarmos e a percebermos de vários pontos de vista. Esta villa compreende tanto o espaço focal clássico como o espaço narrativo, pois estes estão sempre juntos, apenas actuam de modos diferentes. Aqui o espaço narrativo está criado não por uma percepção estável mas sim por uma sucessão de sensações que é o que constrói este espaço ao evitar um ponto de vista único e estável, pois tem o propósito de criar uma sensação real já que este não é um espaço virtual nem de projecção mas sim um espaço real onde nos movemos. Para acentuar esta filosofia, Corbusier optou por um percurso em rampa.

O Percurso Arquitectónico

Um percurso transmite a ideia de chegar a algum lado, e este já deve ser previsto na concepção do espaço arquitectónico.

·Acropolis Atenas

O movimento já faz parte do edifício.

Para Le Corbusier, no percurso arquitectónico existe a criação de emoções e é formado por uma sinfonia perceptiva de imagens.
Uma boa arquitectura tem que ser caminhada onde há um percurso de fora para dentro. Este deve estar no controlo do arquitecto para a criação de sucessivas emoções.
O tempo funciona aqui como uma categoria arquitectónica, pois dá a ideia de movimento e o controlo do movimento está na essência do objecto arquitectónico. Um exemplo disso é a arquitectura egípcia em que havia uma sucessão de espaços/emoções/sensações até chegar ao clímax, pois os arqueólogos não sabem o que irão encontrar a seguir. Tem que existir um percurso sequencial segundo uma linha de tempo narrativa para chegar de um espaço a outro.

·Pirâmide Djozer, Sakkara
2778-23 a.C.

É um complexo funerário que tinha uma pirâmide. Este complexo apenas tinha uma única entrada uma vez que também só existe um único acesso ente o espaço dos vivos e o espaço dos mortos. Este está rodeado de edifícios para sobressair e funcionar como referência para as províncias. Este é um projecto repleto de ortogonalidade, com um carácter fechado por uma muralha e a pirâmide situa-se no centro como fim do percurso sequencial. Há uma divisão muito estrita no espaço interior (mundo dos vivos/mortos). Aqui o percurso é feito segundo um eixo de simetria e está condicionado pela arquitectura para que haja a sucessão de emoções criadas a partir do movimento.

·Templo Deir El Bahari, Hatshepsut
2723-2584 a.C.

O elemento principal deste templo é o percurso que é necessário realizar para chegar ao fim da tumba, em que há um eixo de simetria e o eixo do movimento para chegar ao templo. Através da composição horizontal com a composição vertical cria-se a ideia de ascensão para chegar à tumba. É um conjunto fechado e ortogonal, havendo assim uma relação interior/exterior.

·Vers une Architecture
Le Corbusier, 1923

Neste livro, Corbusier tenta compreender a essência formal das construções egípcias estudando as regras físicas das construções, fazendo uma analogia entre uma pirâmide com uma montanha de lixo, pois têm as mesmas regras físicas.

Regras Físicas (para causar emoções):

·Mosteiro La Tourette
Le Corbusier, 1953-60

1. Superfície
A superfície é aquilo que fecha o volume/espaço. É um elemento essencial para a arquitectura.

2. Volume
É a possibilidade de jogar com os cheios e vazios.

3. Planta
Controla todas as regras físicas em termos de fluxos, percursos perceptivos e de como ligar as diferentes funções. É o mais importante para a compreensão.

Assim, a técnica serve de apoio para o controlo da “máquina de habitar”, indo assim essencializar a arquitectura. Os elementos utilizados para o controlo das partes da sua máquina, as formas arquitectónicas, conseguem estabelecer entre eles um diálogo que tem como consequência diferentes sensações.
Existem múltiplas técnicas para controlar o percurso:

· Plano delgado perpendicular à marcha;
· Esfera;
· Semi-esfera aberta para a frente – pára o movimento e cria um espaço que não nos deixa mover para nenhum dos lados;
· Semi-esfera aberta para trás – cria problemas em andar para a frente;
· Corpo ovóide com extremo arredondado para a frente – dá a percepção do nosso movimento ser o mais rápido possível.

Assim, a arquitectura é uma máquina estática em que o elemento que se move é o Homem e é na arquitectura que se controla o seu percurso, em que todos os elementos da “máquina” estão feitos para controlar o movimento através destas regras físicas.




·Ville La Roche – Jeanneret
Le Corbusier, 1923

Le Corbusier trás as ideias cubistas (estética) e práticas para as aplicar nos seus projectos através do uso da geometria. O seu problema não tem a ver com o uso de geometria, no entanto não mistura o eixo de simetria dos elementos compositivos com o eixo de simetria dos percursos, pois o Homem tem olhos e estes podem ver várias coisas e por isso não devem ser tapados pela simetria dos elementos compositivos. Cria assim uma assimetria perceptiva. A entrada deste edifício marca o inicio de um percurso interior e lá acontece uma sucessão de percursos até à chegada a uma sala de exposições (elemento côncavo no interior e convexo no exterior). A ideia principal é fazer uma eleição entre a esquerda e direita num momento preciso, dando a ideia de controlo da arquitectura. Esta eleição é feita devido a um pilar no meio da sala.

·Villa Stein
Le Corbusier, 1927

A villa Stein tem duas fachadas muito diferentes e o seu acesso é sempre feito de carro, ou seja, este é um projecto que já está pensado para ser assim, está pensado para o carro. Aqui estabelece novamente uma percepção diferente do eixo do percurso e do eixo do edifício. Corbusier quer também transparecer a ideia de parede estrita do muro que é perpendicular em relação ao sentido do percurso, bem como da hierarquia entre o acesso pedonal e o acesso de veículos, sendo que a primeira é composta por uma pala criando assim um movimento de percepção remetendo para a ideia de avião. Utiliza ainda formas curvas, convexas e côncavas para fazer parar ou controlar os percursos através de pilares ovóides para que o percurso seja mais rápido orientando assim o percurso arquitectónico.


·Villa Savoye
Le Corbusier, 1928

Aqui estão inseridos os ensinamentos de Corbusier. Nesta villa também os acessos estão pensados para os automóveis que é feito pela fachada de trás. O automóvel aparece como o elemento principal de chegada a casa. Mais uma vez, a simetria compositiva da casa é diferente do acesso para a casa. Corbusier aplica as regras físicas ao colocar um pilar no centro da casa, bem como uma trama como forma de controlar o movimento no interior da casa, pretendendo que no percurso interior se encontre sucessivas emoções. Com o pilar quadrado consegue um diálogo com a curvatura das escadas e com o pavimento em diagonal trás para o interior um espaço narrativo, dinâmico nesse momento, pois quando o pavimento é ortogonal, o objectivo é estar parado. Existe um lugar fechado, como nos templos egípcios, mas neste caso aberto, para voltar o homem para o exterior, funcionando como um marco do interior para o exterior, um marco para a natureza como fim do percurso estrito.






·Kunsthtal, Roterdão
Koolhas, R. 1987-92

No próprio logótipo do edifício já existe a ideia de movimento, é como se fosse uma máquina de habitar. Este é um edifício localizado entre a cidade antiga e o cais de Roterdão, estando assim num ponto de ligação entre a cidade antiga e a nova, sendo esta ligação feita através de uma rampa que quebra o edifício em duas metades. Cada fachada é compreendida de modos diferentes devido às diferentes realidades para qual cada fachada está orientada, pois cada uma está a responder àquilo que se passa na realidade para que estão viradas. Este é um edifício que está dividido em quatro partes por dois eixos de circulação, sendo que um é a rampa e o outro é a estrada onde passam os automóveis, ficando de um lado os espaços mais públicos e do outro os espaços mais privados. Assim, o percurso define o espaço de todo o edifício, havendo assim a ideia da introdução de procura de emoções, pois as rampas são levadas para o exterior criando assim uma ligação maior com o exterior e as árvores artificiais que trazem o jardim para o interior do edifício.

03. O Espaço

03.1 O Espaço Arquitectónico

Neste tema de Teoria da Arquitectura, o espaço funciona como ferramenta de trabalho do arquitecto.
Um espaço constante e homogéneo pode ser modificado para que haja diferentes compreensões desse mesmo espaço. Assim, o olho é o instrumento que permite o ser humano compreender as formas e os objectos arquitectónicos levando a uma percepção arquitectónica, que é uma qualificação do espaço através da visão. A percepção já é um instinto que o Homem tem para compreender o espaço arquitectónico.
Deste modo, o objectivo final da arquitectura não está no objecto final mas sim no elemento que forma o limite da massa (espaço arquitectónico ou vazio transparente). Não se trata da massa do objecto mas sim da sua pele.
·Caja de Ahorros, Granada
Campo Baeza, A., 2002

Embora compreendamos o volume e a forma através da visão, o importante na arquitectura é o vazio que está lá dentro, o olho apenas estabelece o limite desse vazio, sendo que o limite não é mais que o fechamento/captura do espaço.
O espaço arquitectónico não é um elemento tangível, mas antes um elemento que está sempre limitado por uma pele/limite. A forma como percebemos o limite vai influenciar o que sentimos quando estamos dentro do espaço arquitectónico.

·Meditação de Rembrandt

Neste quadro, a luz é uma qualidade do espaço arquitectónico que não pertence à arquitectura mas sim à vida e ao mundo, mas que é utilizada na arquitectura para capturar a ideia de limite. Não só é um material para a arquitectura, mas também é uma matéria concreta/contínua uma vez que tem volume. A luz é como um líquido viscoso que se pode mover para a criação de efeitos na arquitectura.
Ao modificarmos as qualidades do espaço através da luz, mudamos também a forma de perceber esse mesmo espaço. Podemos então qualificar a luz em termos de densidade e intensidade.

Tipos de Luz
Qualidade:

1. Luz Sólida
2. Luz Difusa

“Forma, espaço e ordem”
F. Ching

Com esta citação, Ching pretende dizer que sem a luz, a arquitectura não chegava a cumprir os seus objectivos, pois é uma matéria inevitável que consegue criar espaços.
Assim, com a luz sólida podemos compreender o limite entre o que está em sombra do que não está, e com a luz difusa, uma luz norte, torna-se mais difícil de a capturar, não conseguimos compreender totalmente o que está em sombra e o que está em luz.

Direcção

1. Luz Horizontal
2. Luz Diagonal
3. Luz Vertical

Sobre a luz horizontal, podemos dizer que entra por um plano vertical, e que durante muito tempo, durante grande parte da História da Arquitectura, apenas se construíam planos verticais para a introdução de luz horizontal.
Acerca da luz diagonal, é uma luz que entra por uma parte mais elevada, o que acontecia na altura do gótico, pois construíam edifícios bastante altos com janelas igualmente altas para que a luz diagonal pudesse entrar.
Finalmente, a luz vertical é um tipo de luz que praticamente só apareceu no movimento moderno que foi quando se conseguiu a entrada de luz vertical por um plano horizontal, através de vidros e plásticos.

1.Luz sólida

·Panteão de Roma, 27 a.C.

Este foi um edifício feito para os Deuses, onde existe uma luz vertical devido a uma cúpula com um óculo. Este é o único momento da História mais antiga que tem uma entrada de luz vertical, qualificando assim este espaço arquitectónico.

2. Luz Difusa


·Capela de Ronchamp
Le Corbusier, 1954

Esta capela tem uma abertura horizontal dando a noção de que o tecto está a flutuar, pois a luz é a única matéria arquitectónica que consegue lutar contra a massa e a gravidade, dando a ideia de limite na arquitectura. Mais uma vez confirmamos que o controlo da luz permite modificar espaços, bem como a sua compreensão.


·Box of Light and Shade, Cadiz
Campo Baeza, A., 2001

Campo Baeza tenta controlar as entradas de luz em termos de qualidade e direcção com o fim de criar determinados efeitos no interior. Pretende que a luz seja protagonista como material no interior, e é por isso que a sua arquitectura é branca e abstracta. Para ele os cortes são importantes para a compreensão do interior, estudando assim as entradas de luz entre outras coisas.



·Caixa de Ahorros, Granada
Campo Baeza, 2002

O edifício é uma caixa de luz. Baeza gera o efeito de sombra para criar uma luz difusa no interior frente aos planos horizontais com clarabóias como forma de entrar a luz vertical. Aqui a luz contém o factor tempo, uma vez que é através do movimento da luz que se nota que o tempo está a passar.

Fenómenos no espaço arquitectónico

Como foi referido anteriormente, o espaço arquitectónico está definido pela ideia de limite, no entanto, nós, como arquitectos, para imaginar como será o espaço arquitectónico, necessitamos de representar esse espaço, desenhá-lo antes da sua construção.

1. Apresentação
Durante uma apresentação podemos estar no interior do objecto arquitectónico e por sua vez compreendemos o limite. Trata-se da imagem real do objecto arquitectónico.

2. Representação
É a representação do espaço, ou seja, a compreensão do espaço através da representação técnica da arquitectura (geometria, desenho) para controlar o espaço final.

Métodos de Representação (Vitrúvio)

1. Ortografia: Volume – Massa
Com a fachada e o limite interior/exterior compreendemos o volume/forma do objecto arquitectónico. Há um estudo do volume/massa através de perspectivas.

2. Icnografia: Planta
Este é o modo de representação mais habitual, uma vez que mostra as relações interiores entre os espaços e marca diferentes espaços de circulação/funcionamento do espaço.

3. Cenografia: Secção – Perspectiva
Trata-se de um corte com perspectiva, que nos permite visualizar os aspectos construtivos e a sua utilidade. Aqui é possível representar em 2D um espaço de três dimensões, pois há uma tentativa de criar profundidade, desenhando um espaço interior de uma forma real.

·Museu Romano, Mérida
Moneo, R.

Não podemos medir a percepção, no entanto existe uma conexão virtual entre o desenho e a percepção do espaço interior. Aqui a perspectiva ajuda a compreender os espaços nos desenhos, bem como com os cortes, que nos mostra multiplicidade e interiores numa tentativa de compreensão dos espaços e deste modo conseguimos prever como irá ficar o objecto arquitectónico depois de construído. A arquitectura deve ter a capacidade de organizar o espaço para que seja facilmente dimensionável e controlável para que o desenho já possa transmitir as sensações que gostaríamos que as pessoas vivessem. Por isso é tão importante o controlo da perspectiva e do desenho.

Perspectiva como Racionalidade e Artifício
O Espaço Focal Clássico

A perspectiva é uma forma de racionalizar (compreender/controlar o espaço ou mudar de forma previsível o espaço) e é o que define um espaço estável, onde nos encontramos (espaço focal clássico).

Espaço Focal Clássico:

1. Constante
2. Homogéneo
3. Isótropo

Através do triedro arquitectónico podemos compreender o espaço, pois conseguimos ver as cinco caras do triedro, uma vez que estamos lá dentro. Não nos é possível modificar este espaço arquitectónico uma vez que não existe tempo no espaço, apenas no caso de introduzirmos um elemento, ou seja, só modificamos o espaço homogéneo e estável se começarmos a andar e a olhar esse mesmo espaço de diferentes pontos de vista.

Perspectiva como Racionalidade

Como já sabemos, a perspectiva é o grande meio de representação para mostrar o espaço clássico, uma vez que tem uma base geométrica, em que conseguimos dimensionar de forma exacta.
A perspectiva teve início no Renascimento quando os desenhadores criaram grelhas que usavam para desenhar de forma mais precisa e fiel a realidade (método dos quadradinhos).

·“A Trindade”, Masaccio

Na pintura a perspectiva era utilizada para dar mais profundidade.

·San Lorenzo, Florença
Brunelleschi

Aqui o importante é o espaço arquitectónico. Neste caso, com o uso da perspectiva, a realidade podia ser o desenho prévio. O importante não é a fachada exterior mas sim a configuração do espaço interior que para o racionalizar, Brunelleschi utiliza a perspectiva.

·Casa Tateshina, Nagano
Kishi, W., 1992

Na casa Tateshina o tema principal é a cobertura, que por não ser plana cria um primeiro conceito de lugar como na cabana primitiva, tentando estabelecer deste modo um diálogo entre a cobertura (abrigo) e a parte inferior (o lugar da vida/fogo). Kisho deixa o limite entre a cobertura e o espaço inferior livre e utiliza uma grelha geométrica para que se compreenda o interior. Outra característica interessante é o facto de os elementos estruturais estarem visíveis para que do exterior se compreenda o espaço interior. Este fenómeno também acontece no interior para que se percebam as dimensões, e utiliza a perspectiva para ligar a fase de projecto à realidade.

Perspectiva como Artifício


·Praça de S. Pietro, Roma
Bermini, G. L., 1662

O arquitecto utiliza a perspectiva como método de representação mais exacto para compreender o que vai ser construído posteriormente, e é através dela que modifica a percepção das dimensões da fachada aos nossos olhos. Com a forma de um trapézio ilude o receptor pois a fachada da igreja parecerá mais pequena. A intenção de Bermini é que a fachada principal da igreja pareça mais pequena para que a perspectiva da cúpula pareça mais próxima. Modifica ainda a sensação de permeabilidade do interior da praça frente ao exterior da mesma através das colunas.


·Malevick

Aqui está representado que um espaço homogéneo pode ser modificado. O objectivo era criar movimento e dimensão na pintura estável, para tal serviu-se de trapézios que funcionam como rectângulos em movimento.

·Mid – Atlantic Toyota Distributors, Mary Land
Gehry, F. Ll., 1978

Gehry usa mecanismos da pintura para criar ilusões na arquitectura, assim no interior joga com elementos que são percebidos com planos em fuga tal como no quadro de Malevick, conseguindo deste modo o efeito de inclinação e profundidade. Com jogos de perspectiva consegue misturar a fuga real (dos olhos) com a fuga artificial, bem como com o uso de vigas e vãos, dando dinamismo e movimento à arquitectura, havendo assim uma multiplicidade de percepções num espaço homogéneo.


·Pavilhões, Parque Natural Hoge, Veluwe
MVRDV, 1996

Há aqui a criação de um elemento quase escultórico. Com a acentuação de perspectivas criam-se efeitos nos pavilhões quando vistos de fora, e o facto de cada pavilhão ter uma materialização diferente dos outros ainda acentua mais esses efeitos. Além disso, o material de cada pavilhão é o mesmo desde o tecto ao chão passando também pelas paredes. Conseguem deformar os pavilhões como se trata-se de uma fotografia, no entanto, só temos a noção completa do edifício se andarmos em seu redor.
Resumindo, o espaço arquitectónico pode ser modificado pela intervenção de luz e através da perspectiva podemos criar ilusões na arquitectura.